Falta de treinamento mata mais um eletricitário na Eletropaulo
Falta de treinamento mata mais um eletricitário na Eletropaulo

O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, realiza várias assembleias em rejeição da proposta da AES Eletropaulo. Ao todo são 30 assembleias para deliberação sobre a proposta do Acordo Coletivo dos Trabalhadores (ACT) , o qual o Sindicato não concorda e, para decretação de greve de 24 horas a partir da zero hora no dia 24 de setembro, junto com a decretação de assembleia em caráter permanente.
A AES Eletropaulo tem o pior acordo entre as empresas do setor elétrico, caso ela não avance nos itens - gratificação de férias, o incentivo a aposentadoria e extensão a licença maternidade - o STIEESP também fará greve nos dias que antecedem e no dia da eleição, 3 de outubro.
Não há avanços da empresa em relação ao acordo. A Eletropaulo é a maior distribuidora de energia da América Latina, e consequentemente vem lucrando muito. Ela registrou o lucro de R$ 465 milhões no segundo trimestre deste ano, mais de 200% comparado ao um ano antes.
O Sindicato realizou até agora 25 assembleias e faltam 5 para finalizar o encaminhamento de plano de lutas. Até agora foram 2.121 participantes, votaram a favor do Sindicato 1.976 trabalhadores e apenas 59 contra, 17 assembleias tiveram votação unânime - os trabalhadores rejeitam a proposta da AES Eletropaulo. A última assembleia ocorrerá no Sindicato dos Eletricitários de São Paulo no dia 20 de setembro às 18h30.
As quedas de energia que aconteceram terça-feira, 7 de setembro/2010, em 10 bairros de São Paulo e a dificuldade e demora em restabelecer as ligações, são prenúncio do que pode acontecer no período de chuvas na capital. A informação é do presidente do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Carlos Reis. Segundo ele, “os trabalhadores da Eletropaulo estão sobrecarregados, atuando no limite de sua capacidade. Qualquer demanda extra supera a capacidade de trabalho dos eletricitários de plantão.”
“Para piorar”, continua o líder dos eletricitários paulistas, “a empresa, com o objetivo de economizar tostões, proibiu horas-extras e concedeu folgas generalizadas no feriadão, confiando que a seca iria continuar e não haveria quedas de energia. Economias como essa, que precarizam o setor, colocam em risco a segurança da população e exigem que os eletricitários se desdobrem para atender aos chamados, arriscando, às vezes, suas próprias vidas.”
GOVERNO DEVE EXPLICAÇÕES
Ainda segundo o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, o governo do Estado, que privatizou a empresa, mas que continua responsável pelo bem estar dos cidadãos, precisa explicar porque permite essa situação/limite, que gera desconforto e insegurança.
A empresa, por sua vez, precisa explicar porque trabalha com escalas mínimas, porque demite eletricitários experientes e contrata pessoas sem lhes proporcionar o devido treinamento. Em caso de acidente(s) com perda(s) de vida(s) quem vai assumir a responsabilidade? – É a pergunta que se fazem os eletricitários.


